Sign up for our Newsletter for lots of free content and information about our events…

* indicates required
Close
Espiritualidade Integral Evolucionaria, Comunidade e Sustentabilidade
O Medo de Destaque, Medo de Sobressair

A timidez, a insegurança, o medo de errar, falhar e ser criticado. Este movimento/condicionamento que se começou a manifestar em mim com mais força na transição da adolescência para a idade adulta foi em muitos momentos inibidor de uma expressão autêntica, genuína, espontânea; livre. Muitos amigos e conhecidos poderão dizer que sempre fui uma pessoa muito social e até com algum protagonismo nos meios por onde fui passando, mas por trás desse aparente “à vontade” e confiança, reside um medo muito grande de arriscar, de ousar, de acreditar que sou capaz, de confiar em mim e na própria vida.

Apesar de este movimento de insegurança e inferioridade não ter desaparecido, ele tem perdido o seu domínio sobre mim. Porquê? Porque tenho escolhido não me identificar com ele. Porque reconheço e entendo que é apenas um condicionamento cultural, fruto de todo um enquadramento social e histórico que faz com que esta ideia de limitação esteja tão viva na nossa cultura. Por ser um movimento impessoal e reconhecendo-o pelo que é, posso escolher e tomar a decisão consciente de não ser inferior, tímido, inseguro, de confiar nas minhas qualidades e capacidades e posso também criar espaço para que algo novo, algo que está para além de todos estas ideias se revele. Por ser um condicionamento cultural, questiono quantos Portugueses se revêm nele e quantos acreditam mesmo que são inseguros, que revelam falta de confiança e não acreditam no seu potencial. Serão muitos com certeza, porque crescemos nesta cultura que nos diz que não vale a pena, que não somos capazes, que os grandes feitos e as grandes obras não são para nós, que somos limitados e que temos que nos conformar…

A minha paixão para falar sobre este tema é imensa porque este mesmo movimento de inibição e limitação, tem sido ao mesmo tempo um motor muito grande de desenvolvimento e crescimento. Falo em crescimento e desenvolvimento porque este sentimento é tão forte que me obriga muitas vezes a um esforço para o poder transcender; sinto-me muitas vezes como que esticar-me, a ir para além da barreira, a ir para além da fronteira da limitação e é aí que encontro a liberdade. Não se trata de extinguir o condicionamento e a aparente limitação, trata-se de no momento em que surge a pressão e a mensagem que não sou capaz, de fazer a escolha de não me travar e não recuar perante o desafio, sabendo que essa mensagem vem de uma parte de mim que insiste na limitação e que eu, no meu Ser mais profundo, sou completo e ilimitado. Por isso, é nesta combinação de esforço, perseverança e dedicação que encontro a confiança e a rendição para poder fazer o que estou a fazer.

Neste processo de desidentificação com este condicionalismo de inferioridade, insegurança, timidez e falta de confiança, tenho-me redescoberto e encontrado numa constante surpresa comigo mesmo. Há não muito tempo atrás seria impensável para mim dar uma palestra em frente a outras pessoas, falar da minha própria experiência, ser vulnerável, dar voz e expressar aquilo que para mim é realmente importante em frente a um público. Neste sentido, a apresentação do projeto Evolusa no dia 25 de Abril em Lisboa foi de facto incrível porque a minha intervenção foi sobre o este movimento de retração muito forte ao mesmo tempo que ele estava a surgir. Aquilo que cada vez mais reconheço na minha experiência é que ao escolher não recuar, acontece um empoderamento e que quanto mais o faço mais me enraízo na verdade que eu sou aquilo que quero ser.

Há cerca de 3 anos atras num Retiro no Projecto Vida Desperta, quando surgiu o primeiro grupo de discussão, na minha primeira intervenção disse que o meu principal medo era falar para um grupo, era ser o centro das atenções e o quanto isso me deixava em pânico. Percebi nesse momento que ao falar abertamente sobre o meu maior medo, que foi aberto um espaço em mim de autenticidade e vulnerabilidade que me permitiu falar por largos minutos e lembro-me o quanto isso foi libertador. Daí para cá tem sido um processo longo, um processo muto implicativo que visa acima de tudo o enfrentar dos meus medos.

Agora, o que é que acontece quando nos identificamos com os nossos medos e com condicionalismos de inferioridade, incapacidade, insegurança, medo de errar e falhar? Convém aqui dizer que quando falamos em identificação, o mesmo significa o momento em que damos força e poder ao medo e a qualquer condicionalismo e o tornamos real, tornando-nos de facto inferiores, incapazes, etc…

Quando nos identificamos com estes movimentos o que acontece é uma autossabotagem, uma autossabotagem ao nosso potencial, comprometendo os nossos sonhos e as nossas aspirações mais elevadas. Por isso é tão comum em Portugal frases como “Epá eu não consigo”, “Isso não é para mim”, “Não dá”, “Não sou capaz”, “Nunca hei de lá chegar”, “Se eu pudesse”, “Gostava muito mas não posso”, “Talvez um dia”, “Agora não” e muitas outras que apontam para uma fatalidade autoimposta de incapacidade e sabotagem. E se são muitas as vezes que verbalizamos este tipo de frases, se formos sinceros, vamos reconhecer que são muitas mais as vezes que em que não as verbalizamos, que as escondemos do exterior e do mundo à nossa volta, mas que repetimos para nós próprios. A repetição e identificação contínua com estes pensamentos levam-nos a uma crença que com o passar do tempo se torna real e daí cresce uma cultura baseada no medo e em complexos. É preciso dizê-lo e fazer o reconhecimento que tudo isto acontece por um processo de autossabotagem coletivo de que todos nós fazemos parte e somos responsáveis. Por isso se somos responsáveis por criar este processo de autossabotagem coletivo, temos também a responsabilidade e a capacidade de o desconstruir e de nos redesenharmos de uma forma criativa.

Pedro Morais

Veja mais artigos e videos sobre esta tema aqui: EvoLusa: Por um Portugal Desperto

Subscreva a nossa newsletter

Sobre o projecto

O Projeto Vida Desperta está situado em uma reserva ecológica bela e selvagem nas montanhas Central Portugal. Oferecemos programas de voluntariado, cursos, eventos e retiros para apoiar a libertação do espírito humano em um contexto de emergência evolutiva e comunhão com a rede ecológica da vida.

Contactos

Quinta da Mizarela
3305-031 Benfeita
Portugal

info@awakenedlifeproject.org
Facebook Page
Twitter
Youtube Channel

Subscreva a nossa newsletter