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Espiritualidade Integral Evolucionaria, Comunidade e Sustentabilidade
Hugo Dunkel

Já em Lisboa comecei a escrever o texto para enviar sobre a minha experiência na quinta da mizarela, porém, como já previam os moradores muitas coisas acontecem que nos distanciam de o fazer, e agora já no porto e depois de ter um grande texto escrito, decidi escrevê-lo de novo pois as experiências que acontecem depois da experiência alteram bastante a forma como vemos e sentimos a primeira. Hoje numa de procrastinação, faço desenhos e leio e vejo coisas, fui inundado pelo que o Devendra Banhart disse no documentário Eternal Child: “Human beings absolutely love and are addicted , whether they know or not, to those states of being where time dissolves, doesn’t exist.”

Nos primeiros dias que lá estive tinha como ideia chegar ao fim do turno e logo me retirar para ler ou desfrutar da paisagem, acontece que rapidamente me vi a absorvido pela vivência que o Pete a Cynthia, a Mim, o Adam o Glen e a Laura partilhavam. Um intenso viver aqui e agora que me permitiu usufruir de uma forma de viver comunitária com a partilha não só de conhecimentos mas muito mais de vivência s e sentimentos.

Reflicto como fomos (fui) desenvolvido numa sociedade da informação e do stress e o quão bom foi ver os meus dias na quinta preenchidos com actividades que apenas envolviam o estar e viver o sitio e as pessoas com quem estamos.

Muitas vezes com a Cynthia sentia uma enorme vontade por parte dela de perceber o que urgia da minha pessoa, qual seria a mudança que estar ali trazia em mim, e é neste sentido que venho a compreender que nós somos constante descoberta e mudança e que só temos de aceitar isso e nos deixarmos absorver pelas coisas, agora já não acredito tanto em momentos de epifania existenciais ou do esclarecimentos repentinos, mas sim que a vida se vive vivendo. Valorizo no entanto o sentimento de libertação que se faz sentir por parte das pessoas que aqui vivem.

E é neste sentido, para além da resiliência, que a meditação tem um valor mais profundo do que a prática, como união. Nos primeiros dias em que estive na quinta, e sem ser praticante assíduo de meditação, me senti constantemente em fuga de mim mesmo, porém só o facto de saber que estava a partilhar um momento a que outros dão tanto valor me fez sentir muito uno com o momento. O mesmo com os dias de silêncio, apesar de sentir que a carga horária era muito intensa nestas quartas. Senti falta de tempo para a contemplação já que toda a experiência do dia com a meditação e trabalho são muito forte. Porém o silêncio proporciona uma experiência e um convívio connosco e com os outros e com os pensamentos que não temos quando nos deixamos guiar pelo mundo das palavras.

Quanto à terra, esse é um meio que, a meu ver, nos faz sentir mais ligados ao que nós somos na nossa origem, e por isso criar uma relação com esta pelo trabalho e pela transformação, faz-nos sentir mais animais mas também mais criadores. E aqui que vejo os conceitos da permacultura bem empregues em todas as suas vertentes. A observação que tem sido feita do espaço físico e de espaços outros das quinta possibilitam o prosseguir a vida na Mizarela de forma harmoniosa e sustentável. Creio que no primeiro dia em que cheguei a Cyntia estava a regar e disse-me, depois de comentarmos o sistema de água com o carneiro hidráulico, que quando regava sentia que estava a fazer algo no qual não existia o sentido de culpa. Apesar do conceito de pecado cristão ser uma seca, ela existe na nossa sociedade.

Na Mizarela há um bom trabalho para que as coisas funcionem com uma eficácia efectiva. Senti-me, em muitos momentos em casa, mas uma casa em que nunca vivi, mas que existe no mundo dos pensamentos. Na Mizarela ví fundidas coisas que pertencem também aquilo que sou, a vida em comunidade, permacultura, a alimentação saudável, local, o esclarecimento, a clarividência, toda uma perspectiva holistica de compreender e viver a vida. E todas estas, e vendo-me como uma eterna criança, respondiam ao conforto que necessito para me sentir livre e feliz. Comentámos muitas vezes como o amor e o carinho são demonstrados de forma diferente entre portugueses, ingleses e americanos, e quase como um mote me foi posta a perspectiva de poder vivenciar essa união entre as pessoas sem esse contacto físico. Agora à distancia compreendo o quão próximo ficámos de facto, mas também o quão importante de facto para mim é o abraçar e o beijar! Fiquei deliciado com as abelhas, os burros, as galinhas, os gatos, os cães e toda a vida selvagem que convivia na quinta e o tempo e dedicação que era dado na relação entre nós humanos e e eles, outras fracções da natureza que não nós.

E uma pergunta que me faço é se seria assim que eu gostava de viver, e respondo que sim, porém vislumbro-me com a possibilidade que temos de perceber a vida como transitória, e conhecer várias “mizarelas ” é o que me faz feliz agora e vou querer lá voltar com muitas saudades sementes e alguns abraços.

As poucas experiências que tivemos fora da quinta foram também todas elas muito interessantes: idas ao mercado e encontros com várias pessoas, o café da benfeita, a caminhada do xisto com a inês e a laura e o retiro em casa da jutta. este último foi uma experiência curiosa. foi a primeira vez que participei num retiro, este num espaço mágico e muito bonito, numa pequena ilha fantasma no meio dos arrozais com uma excelente anfitriã, Jutta e seu ajudante Nik que proporcionaram a várias pessoas um fim de semana incrível.

Quando o Pete me convidou logo aceitei pois tenho trabalhado no sentido de experimentar tudo aquilo a que me convidam sem ter ideias preconcebidas que me inibam. De facto um retiro baseado no conhecimento do ego e na evolução consciente seria à partida por o Hugo que eu conheço rotulada de “espiritual”, no mau sentido, se é que o há. Porém foi uma experiência gratificante por ver como tantas pessoas saíram tocadas e felizes depois destes três dias intensivos de meditação e reflexão. A minha experiência enquanto tradutor foi inesperada tanto para mim como para os outros, e é engraçado como até neste exemplo se pode compreender como a abundância está desejosa de existir. Ao ajudar as pessoas da Mizarela a aprender português, com a nossas sextas feiras portuguesas, também eu aprendi muito da minha própria língua, assim como melhorei o mau inglês dia após dia.

Conviver com o núcleo de projectos que estão a crescer á volta da benfeita traz grande alegria pois é a concretização e viabilização de um modo de vida sustentável e comunitário que não compreende apenas o núcleo familiar, mas possibilita a interacção de bens pessoas e ideias.

E enquanto escrevo isto bebo um sumo de melão e hortelã e lembro-me do que a Jutta falava de o doce nos faz sentir mais crianças!

Hugo Dunkel

 

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Sobre o projecto

O Projeto Vida Desperta está situado em uma reserva ecológica bela e selvagem nas montanhas Central Portugal. Oferecemos programas de voluntariado, cursos, eventos e retiros para apoiar a libertação do espírito humano em um contexto de emergência evolutiva e comunhão com a rede ecológica da vida.

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